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Martim Mariano - Copywriter e Consultor de Comunicação - Connecting Stories PARTTEAM & OEMKIOSKS

Martim Mariano

Copywriter e Consultor de Comunicação

Contador de histórias e criador de conteúdos, Martim Mariano trabalha actualmente como copywriter e consultor de comunicação por conta própria, mas também já foi Senior Community Manager na BBDO Portugal, director de Negócio do CLICKSUMMIT e jornalista na SIC/SIC Notícias.

Formado em Educação de Infância e com um Mestrado em Jornalismo, Martim Mariano tem um propósito claro: “ ajudar o país e o mundo a comunicar melhor”.

Acreditando que “o futuro mais próximo vai passar essencialmente por melhorar e tornar a comunicação mais humana e sincera”, Martim Mariano é um dos convidados especiais na Connecting Stories da PARTTEAM & OEMKIOSKS.

1. O Martim é consultor de comunicação, copywriter, comunicador, escrevedor de coisas, contador de histórias, criador de conteúdos, blogger e foi jornalista na SIC durante quase 10 anos. Pode falar-nos um pouco mais da sua jornada e da sua experiência profissional?

Uiiii… ficávamos aqui o dia todo. É, acima de tudo, um caminho rico em experiências. Em aventuras. Em decisões e escolhas erradas que me conduziram ao caminho certo ou, pelo menos, assim quero crer.

Sempre gostei de histórias, de livros, de mundos que não o meu com o qual o meu mundo se cruzava.

Licenciei-me em Educação de Infância (o único homem na turma). Percebi ao longo daqueles cinco anos que o meu caminho seria sempre o de desafiar as probabilidades e convenções. Então resolvi ir fazer o mestrado em Jornalismo. Foi assim que se abriram as portas da SIC. O que era para ser um estágio de seis meses acabou por se transformar num casamento de oito anos e meio. E foi na SIC que conheci a minha mulher. Foi na SIC que fui pai – o acontecimento que marca para sempre a minha existência neste planeta. Foi na SIC que descobri que tinha um cancro. Foi na SIC que o venci. Foi um caminho incrível. Com muitos altos e baixos. Com muitas derrotas. Com muita frustração e revolta. Mas, acima de tudo, com muita aprendizagem e muito crescimento.

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Hoje sou um profissional muito diferente e muito mais completo. Já fiz de tudo: trabalhei num supermercado, no Oceanário, no Aeroporto de Lisboa, fui animador de miúdos em campos de férias, fui preso na Holanda. É, como disse no início, um caminho rico em experiências que me trouxe até aqui.

2. Que mudanças sentiu quando deixou o Jornalismo e se dedicou ao Marketing? Foi um processo difícil?

Comecei a aproximar-me do Marketing em 2014. Foram quatro anos a aprender. A ler. Muito. Tenho essa vantagem relativamente à maior parte das pessoas que conheço. Leio muito. Leio com gosto. Leio com paixão. Leio com vontade de aprender a fazer. E isso permitiu-me ir conhecendo cada vez melhor as práticas e as pessoas certas. Depois fui fazendo a minha aproximação. Comecei a marcar presença em eventos. O ClickSummit foi o primeiro evento (para o qual havia de vir a trabalhar algum tempo mais tarde), depois estive a trabalhar durante dois anos na operação digital da SIC/SIC Notícias na WebSummit. Pelo meio conheci centenas e centenas de pessoas e o bichinho do marketing, da publicidade, do copywriting, de alcançar resultados com as palavras começou a despertar.

São dois mundos distintos, mas com coisas comuns. Como jornalista tens de ser rigoroso. Tens de investigar. Tens de furar. Tens de escavar e ir à procura do que não está à vista. Tens de escolher um ângulo e abordar as histórias através daquilo que os teus olhos conseguem ver – e não só. E tens, acima de qualquer outra coisa, de ouvir e entender as pessoas. Perceber o que é que elas querem ler e de que forma é que gostam de o fazer. No Marketing passa-se a mesma coisa. Precisas de compreender as pessoas. Ouvi-las. Perceber rapidamente que ninguém quer saber de ti para nada.

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Como disse o Dale Carnegie, as pessoas só querem saber de si próprias. Por isso, tens de falar-lhes ao ouvido. De lhes dizer coisas que interessantes, mesmo que para ti aquilo não tenha interesse nenhum. São as pessoas que importam. Os conteúdos têm de ser criados para eles. Não para nós.

A minha saída do Jornalismo foi ponderada, pensada, desejada. Mas claro que há sempre um processo de adaptação. De estranhar o mundo novo onde entras. Sobretudo quando, como foi o meu caso, passas de uma empresa gigante como a SIC para uma empresa com seis pessoas, como era a DIGITALFC, do Frederico Carvalho. Mas com boa vontade tudo se faz.

A escrita é o meu mundo.

3. Em que áreas se sente mais à vontade? São as mesmas para as quais é mais recorrido?

Gosto de trabalhar em tudo o que é comunicação. Mas a escrita é o meu mundo. Tenho um amigo que há uns meses me disse uma coisa sobre a qual nunca tinha pensado: “Martim, tu não tens medo de texto nenhum. Tu escreves sobre tudo e qualquer coisa”. É uma grande verdade. Já escrevi sobre criptomoedas, sobre envelopes, sobre economia, desporto, impostos, amor, paternidade, morte, saúde, política. Para mim é escrever. E escrever é ter a capacidade de o fazer sobre o que quer que seja preciso escrever.

O copywriting acabou por ser uma extensão natural dessa capacidade de observar o mundo e as coisas e tornar a comunicação mais eficaz. Como? Contando as histórias que as pessoas querem ouvir.A escrita é o meu mundo.

4. O que o levou à área da Comunicação? Qual é o seu grande objectivo?

O gosto pela comunicação. O gosto por isto tudo que é a vida. Esta prenda incrível que os que vivem recebem à nascença. Sempre gostei de comunicar. De falar. E quando não tenho ninguém com quem falar, falo sozinho. Verdade. Sempre foi assim.

O meu objectivo é simples: quero ajudar o país e o mundo a comunicar melhor. Porquê? Porque acredito piamente que uma grande percentagem de problemas na nossa vida são provocados por falhas ou deficiências na comunicação. A minha família (e a maior parte das famílias da Terra também o é) um exemplo perfeito disso.

Cresci com consciência desses problemas e a esbarrar constantemente na impossibilidade metafísica de os resolver. Por isso, pensei que tinha de ir à base e tentar ajudar outras pessoas a comunicar melhor para que, no futuro, a percentagem possa baixar.

Se queres convencer alguém de alguma coisa, se queres ensinar alguma coisa a alguém num curto espaço de tempo, então conta-lhe uma história.

5. Foi orador no Social Media Hackathon, um evento sobre Social Media e Marketing Digital. Como orador deste evento, e uma vez que dá formações nesta área, quais são os aspetos chave na criação de laços com a audiência, de modo a contribuir para as relações interpessoais e para a promoção do enriquecimento conjunto?

É absolutamente fundamental que se saiba quem é o público que está ali à frente, sentado, a meia luz, à espera de alguma coisa que o faça sentir que a aposta, o investimento que fez no bilhete, o tempo que está ali a perder, o dia de folga desperdiçado, a hora tardia a que vai chegar a casa... tudo isto vai valer a pena.

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Por isso, é importantíssimo que pensemos que um PowerPoint não salva – nem hoje, nem nunca, aqui ou na Austrália – um mau orador. Alguém que não sabe comunicar. Tudo isto se treina, claro. Mas um PowerPoint só expõe as nossas debilidades, não as mascara.

Assim, uma coisa que considero muito importante é tornar aquele tempo em cima do palco um momento de lazer. Se tornarmos aqueles 15 ou 20 minutos num momento em que as pessoas ouvem uma ou mais histórias, contadas na primeira pessoa, em que passamos a mensagem que queremos passar através da partilha dos nossos próprios exemplos, dos nossos erros e das aprendizagens e transformações que ocorreram pelo caminho, então é garantido que as pessoas se vão lembrar de ti no final do dia.

Há empresas, como é o caso da Amazon, onde o PowerPoint foi riscado das apresentações e reuniões. Se queres convencer alguém de alguma coisa, se queres ensinar alguma coisa a alguém num curto espaço de tempo, então conta-lhe uma história. Parece ridículo, mas é uma arma indestrutível.

6. Como empreendedor, que desafios tem encontrado ao longo do caminho?

O maior desafio talvez seja mesmo a forma como temos de passar a olhar para nós. Para aquilo que somos. Para tudo o que fazemos. Para o futuro. Para o presente. Descobrir que cada erro que fazemos nos implica directamente em cada parte do processo falhado.

No meu caso, estando a trabalhar completamente sozinho e num mercado que envolve formações presenciais e deslocações pelo país, a pandemia veio rapidamente mostrar-me que precisava urgentemente de fazer qualquer coisa para não ficar em maus lençóis. Congelei. Petrifiquei de estupefacção e medo. Mas, com a preciosa ajuda da minha mulher, tomei uma decisão. Tenho de começar a fazer workshops e formações online. Não havia volta a dar. E foi o que fiz. Mas, lá está, tive dúvidas. Tive medo que não acontecesse nada. Estava a pisar terreno novo, fresco. Nunca tinha ali estado. E, como em qualquer boa história, hesitei e recusei a chamada para a aventura que o momento e a vida me estavam a fazer. Mas decidi ir em frente e, seis meses depois, já tive quase 200 pessoas a participar nos sete workshops que fiz desde que o coronavírus apareceu para nos mostrar quem manda.

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E isto diz-me que as pessoas têm interesse em aprender a comunicar melhor. E que fazê-lo online não as desmotiva. Não as afasta do seu objectivo. Saber isto e perceber isto faz-me sentir uma enorme responsabilidade e senti que não podia, de forma alguma, virar as costas à oportunidade e às pessoas. Depois, estar sozinho a fazer tudo, desde a preparação dos cursos, os seus materiais de promoção, os certificados, a gestão de pagamentos, de facturas e recibos, de marketing, da comunicação em nome próprio, a procura e curadoria de conteúdos que possam ser do interesse da tua audiência, o pensar no que vais fazer e no que vais dizer. Os anúncios. Os conteúdos. Fazer tudo isto sozinho é duro. Que ninguém se iluda. Nunca trabalhei tanto na minha vida. Mas ver os resultados e aprender com os erros é uma experiência incrível. E depois é esta possibilidade de gerir o meu caminho, os meus dias, que me deixa muito feliz no final do dia.

Ir levar e buscar a minha filha à escola todos os dias é um privilégio de valor incalculável. É ouro puro. E só neste registo de empreendedor – se for isso que lhe quisermos chamar – é que se consegue fazer isto. Pelo menos até agora. Tenho esperança que este novo advento do trabalho remoto permita que os pais consigam passar mais tempo de qualidade com os filhos.

Comunicar é estabelecer contacto. É abrir uma via para se dizer alguma coisa com alguma intenção e esperar uma resposta do outro lado.

7. Como é que a Comunicação pode determinar o sucesso de uma empresa e/ou de uma marca?

Volto novamente ao Dale Carnegie. “As pessoas não querem saber de nós para nada. As pessoas querem saber delas próprias.” Temos de lhes dar coisas que lhes interessem, coisas que as possam afastar das suas vidas, dos seus pensamentos, dos seus problemas, das suas dores. Para em seguida as convencermos a ficarem connosco porque temos alguma coisa que elas vão querer ver.

Comunicar é estabelecer contacto. É abrir uma via para se dizer alguma coisa com alguma intenção e esperar uma resposta do outro lado. Uma marca ou uma empresa, se quisermos, que saiba comunicar com as suas pessoas desta forma, que mostre que se importa com elas, que as convença que estão ali para o que for preciso, que se torne parte da vida dessas pessoas e que lhes resolva algum tipo de problema é uma marca que passa a fazer parte da família. E isto é uma conquista tremenda para uma marca ou empresa.

Há marcas que fazem isto de forma magistral. Temos a Coca-Cola, a Nike, a Apple, a Adidas, a Starbucks, marcas de automóveis, de chocolates, enfim. Marcas que têm impacto na vida das pessoas e que usam esse poder de influência para comunicar de forma empática e envolvente têm o mundo a seus pés. Ou uma grande parte dele.

8. Qual é o futuro da Comunicação? É uma área em crescimento?

Não sei qual é o futuro da Comunicação. Se soubesse estava rico. Mas acho que vai depender sempre das pessoas e da sua capacidade de se adaptarem à novidade e ao tempo em que vivem.

Tenho 36 anos. Sou casado. Pai de uma menina de quatro anos. Não estou acabado. Mas vejo tantas formas de comunicação diferentes diariamente que só posso ter esperança que seja uma área em crescimento. Até porque preciso de pagar a renda de casa. Por isso é bom que cresça.

Acredito que a necessidade que as pessoas e as empresas e empresários sentem de comunicar com o público é cada vez maior. Esta pandemia e o isolamento a que fomos forçados deixaram claro que precisamos de comunicar mais uns com os outros. Seja qual for o método que usamos para o fazer. Temos ao nosso dispor uma ferramenta absurda que dá pelo nome de Internet e que nos permite ter o mundo no bolso das calças ou na palma da mão, se quisermos uma imagem mais bonita, vá. Hoje em dia, qualquer pessoa que tenha um smartphone nas mãos consegue falar com o mundo. Publicar e ser lida. Ouvida. Admirada. Odiada. Dá para tudo.

Muitas das empresas portuguesas não estavam nem de perto nem de longe preparadas para não funcionarem sem contacto presencial com os clientes. Para se ter uma ideia, mais de metade das empresas portuguesas não tem um site. E, quando de repente nos impedem de abrir as portas e nos obrigam a trabalhar enfiados dentro de portas, o que é que acontece? O pior.

Assim, parece-me que a comunicação e a necessidade de ter alguém a dar voz à empresa, em tempo real, a ajudar os clientes e a resolver problemas a essas pessoas, vai ter um aumento de procura e de investimento por parte das empresas. Nem que seja à custa do próprio suor até perceberem que precisam de ajuda de alguém que saiba o que fazer.

Connecting Stories é um novo espaço editorial conduzido pela PARTTEAM & OEMKIOSKS que consiste na realização de entrevistas exclusivas, direccionadas a personalidades influentes, que actuam em diferentes sectores de actividade.

O projecto, idealizado pela PARTTEAM & OEMKIOSKS, contempla a publicação de histórias de sucesso, por meio de pequenas entrevistas a influenciadores que queiram compartilhar detalhes sobre os seus projectos, opiniões, planos para o futuro, entre outros assuntos.

A ideia é conectar histórias, partilhar conhecimento, desenvolver networking e gerar conteúdos que possam fornecer novas visões, oportunidades e ideias.

Sobre a PARTTEAM & OEMKIOSKS

Fundada em 2000, a PARTTEAM & OEMKIOSKS é uma empresa portuguesa de TI mundialmente reconhecida, fabricante de quiosques multimédia de interior e exterior, equipamentos self-service, mupis digitais, mesas interactivas e outras soluções digitais, para todos os tipos de sectores e indústrias. Para saber mais acerca da nossa história, clique aqui.

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